Get Adobe Flash player

Laudos

O laudo radiológico é um documento. Nele, devemos mencionar a técnica utilizada e as possíveis intercorrências ocorridas durante o procedimento. A descrição dos achados deve ser redigida de forma sucinta e completa, e quando o diagnóstico é seguro, terminar com uma impressão/conclusão. É prática desaconselhada utilizar neologismos, abreviações, preposições inadequadas e principalmente termos anatomopatológicos.
Os exames sem “laudo” somente devem ser liberados em caso de absoluta necessidade do paciente e com o intuito de promover o bem-estar deste. Infere-se que, se o médico solicitante aceita o filme sem laudo e baseia-se apenas na sua própria interpretação, é ele, então, o responsável médico-legal pelas conseqüências dessa interpretação. Um estudo realizado por Vincent e colaboradores (1988) mostrou uma taxa de 39% de erro de diagnóstico para anormalidades clinicamente significativas, feitos por médicos não especialistas em diagnóstico por imagem. Na entrega de resultados de exames, deve-se fazer o registro para quem foi entregue o exame, seja médico, clínica ou outra pessoa.

Oferecimento de serviços para área de atuação ou especialidade para a qual o médico não possui certificado de área de atuação ou título de especialista. Infração ética. Competência do CRM.

O oferecimento de serviços (divulgação) em área de atuação ou especialidade para a qual o médico não detenha certificado de área de atuação ou título de especialista é considerado infração de natureza ética, e como tal deve ser resolvida.
O Código de Ética Médica – CEM é expresso em seu artigo 135 no sentido de ser vedado ao médico anunciar ser  especialista de área para a qual não está qualificado, senão vejamos:
“Art. 135 – Anunciar títulos científicos que não possa comprovar ou especialidade para a qual não esteja qualificado.”
Nesse sentido, comete infração ética punível o médico que não possuindo o título respectivo anuncia especialidade para a qual não está qualificado.
O CBR, por seu turno, defende que a atuação do médico especialista deve ser circunscrita à área para qual está titulado.
No entanto, a competência exclusiva para apuração e adoção das demais providências relativas à ética médica é do Conselho Regional de Medicina da região onde ocorrer à infração.
Assim, diante de situações que indiquem violação à ética médica, é dever do médico denunciá-las ao CRM da região, para que referido órgão adote as devidas providências, apurando se houve ou não infração às normas de ética-médica.

Retificação de laudo radiológico.

Laudo é o instrumento escrito utilizado por especialistas com a finalidade de apresentar suas conclusões/opiniões técnicas, de forma fundamentada, em relação à análise feita no objeto do exame/perícia.
Com efeito, no caso de exames radiológicos e de diagnóstico por imagem, o laudo deve ser emitido após a interpretação feita pelo especialista, vinculando o seu emissor à responsabilidade quanto ao que nele for apresentado.
A RDC 302/2005 não é aplicável diretamente aos exames de radiologia e diagnóstico por imagem, posto que regulamente procedimentos relativos a exames de natureza clínica. Porém, a sistemática de retificação de laudo contida no item 6.3.8.1 pode ser assimilada por analogia, posto que corrobore o que já é permitido pelo Código de Ética Médica.
Desse modo, se o médico radiologista verificar que há informação que deve ser retificada no laudo por ele elaborado, deverá assim proceder, retificando o laudo naquilo que for preciso, mediante novo laudo no qual faça referência ao laudo retificado, valendo-se para tanto da autonomia profissional conferida pelo Código de Ética Médica (artigo 7º), procedendo de imediato a comunicação ao médico assistente a quem foi remetido o exame e o laudo.
Porém, é inescusável a responsabilidade do médico especialista em relação às conclusões técnicas que lançar no laudo, mesmo que depois venha retificá-lo, nos moldes do que dispõem os artigos 31 e 32 do Código de Ética Médica.

Exames radiológicos de urgência e emergência. Competência do Médico Radiologista.

O médico radiologista, pela sua qualificação e conhecimento técnico, é o profissional responsável pela realização e supervisão de exames de radiodiagnóstico.
É importante esclarecer que o laudo radiológico é parte integrante do exame, onde deve ser mencionada a técnica utilizada e as possíveis intercorrências ocorridas durante o procedimento. A descrição dos achados deve ser redigida de forma sucinta e completa, e finalizá-lo com a sua impressão profissional.
Outrossim, a urgência ou emergência do exame solicitado não retira deste especialista a competência e responsabilidade pelo exame.
Podemos concluir, portanto, que o serviço de radiodiagnóstico deve sempre manter um médico radiologista à disposição, ainda que à distância. Assim, caso o médico radiologista venha a ser chamado para atender uma situação de urgência,  emergência ou em que haja a necessidade de inoculação de contraste, ele deverá comparecer ao serviço para a supervisão do exame e elaboração do respectivo laudo.

Necessidade de Laudo em exames radiológicos realizados em Pronto Atendimento

O laudo radiológico é parte integrante do exame e é nele que deve ser mencionada a técnica utilizada e as possíveis intercorrências havidas durante o procedimento, bem como a descrição dos achados, que deve ser redigida de forma sucinta e completa, finalizando-o com a impressão do médico especialista.

O Conselho Federal de Medicina já se pronunciou no sentido de que é o médico radiologista o responsável pela emissão do laudo relativo ao exame de natureza radiológica e de diagnóstico por imagem, tal qual se vê no Parecer 12/97 do CFM, segundo o qual “(…) nos serviços de radiologia, a responsabilidade pela emissão do laudo compete ao médico radiologista.”
Da mesma forma o Conselho Regional de Medicina da Paraíba já definiu que o exame radiológico é um ato médico que inclui a realização do exame e o respectivo laudo, sendo a execução e interpretação atribuições do médico especialista em radiologia.
A propósito, faz-se oportuna transcrição de parte do teor do Parecer CRM PB nº 01/2007, a saber:
O exame radiológico é um ato médico que inclui a confecção do exame e o laudo, sendo, portanto de competência exclusiva deste. É preciso lembrar que a solicitação do exame pode ser feita por qualquer médico, mas a sua execução e interpretação são atribuições do médico especialista em radiologia.”
Outrossim, a urgência ou emergência do exame solicitado não retira deste especialista a competência e responsabilidade pelo exame.
Podemos concluir, portanto, que para todos exames radiológicos deve haver o respectivo laudo, pois dele é parte indissociável, de tal modo que o serviço de radiodiagnóstico deve sempre manter um médico radiologista à disposição, ainda que à distância. Assim, caso o médico radiologista venha a ser chamado para atender uma situação de urgência ou emergência, ele deverá comparecer ao serviço para a elaboração do respectivo laudo.

Conselho Regional de Medicina do Paraná: Resultado de exames (laudos) sem formular hipótese a patologia

Conselho Regional de Medicina do Paraná
Minuta Parecer Nº: 2312/2011 CRM-PR
Processo Consulta Nº: 015/2011 – Protocolo Nº: 7399/2011
Assunto: Resultado de exames – laudos
Parecerista: Conselheiro Lutero Marques de Oliveira
Ementa: Resultado de exames (laudos) sem formular hipótese a patologia
Consulta: Em correspondência encaminhada ao Conselho Regional de Medicina do Paraná, o Dr. J. L. S., faz consulta com o seguinte teor:
Solicitação: Como deve ser um laudo de exame de imagem? Tenho recebido laudos de US/TC/RNM onde o médico apenas descreve as características técnicas da imagem, ou seja, não formula nenhuma hipótese referente a qualquer patologia. Muitas vezes, é necessário recorrer à literatura para se poder concluir em quais situações essa imagem poderia ocorrer. Ex.: imagem hipodensa/atenuação.

Fundamentação e parecer

A Medicina é uma profissão de decisão tanto na elaboração de um diagnóstico como na execução de um tratamento, com o objetivo de cumprir sua obrigação que é o cuidado da saúde do ser humano, em acordo com o inciso II do capítulo I do Código de Ética Médica.
O diagnóstico é a arte da Medicina de conhecer as doenças pelos seus sintomas e sinais, portanto o diagnóstico compreende não só a arte de coleta de dados que são fornecidas oralmente pelo paciente ao médico, como também a arte de exploração de sinais clínicos ou sinais através de outros métodos, denominados métodos indiretos, sejam eles biológicos, físicos ou químicos, os chamados exames complementares. Logo, o diagnóstico é a conseqüência de uma interligação entre dados fornecidos e sinais.
Os sinais clínicos foram sendo aperfeiçoados com o progresso científico da Medicina, como o exame de pulso proposto por Galeno no século II A.D. que chegou a descrever 27 variedades de pulso diferentes até mesmo a percussão do tórax, introduzida por Auenbrugger no século XVIII.
A instrumentalização da Medicina teve início no século XIX com a invenção do estetoscópio por Laenec em 1816, a termometria, com o emprego do termômetro para medir temperatura corporal em 1852, quando Traube e Wunderlich introduziram o gráfico de curva térmica, que permitiu a caracterização dos vários tipos de febre, e em 1880, quando von Basch idealizou o primeiro aparelho para medida indireta da pressão arterial.
A tecnologia médica propriamente dita só se desenvolveu no decorrer do século XX, com o a descoberta dos raios-X, endoscopia, métodos gráficos, exames de laboratório e provas funcionais. Ainda surgiram durante esse século os contrastes radiológicos, a ultrassonografia, a medicina nuclear, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e, mais recentemente, o PET/CT, contribuindo assim com novas conquistas na tecnologia médica na área de diagnóstico. Novas técnicas de exame, bem como de interpretação das imagens, passaram a existir com o aparecimento dessas novas tecnologias, surgindo com isso uma especialidade médica denominada Radiologia e Diagnóstico por Imagem.
As novas tecnologias trouxeram mais benefícios para a Medicina, como maior segurança ao médico, bem como documentação dos casos em todos os seus aspectos. Porém, como consequência negativa, houve o aumento dos custos, negligência do exame clínico e a sedução incontrolável por aparelhos tanto por parte dos médicos como dos pacientes, com o surgimento de uma nova situação denominada falsa segurança.
A interpretação de um exame de imagem, na área dessa especialidade médica, é a análise macroscópica de uma estrutura anatômica, formada através de processos físicos diferentes, radiação ionizante, ondas de rádio frequência, ondas sonoras, detectores físicos e cálculos matemáticos, e tem procurado chegar próximo a uma conclusão ou hipóteses diagnósticas, cuja precisão depende de uma análise microscópica dessa estrutura. No entanto, com raras exceções, esses objetivos são alcançados apenas quando se faz a análise em conjunto dos sinais de alteração da imagem com sinais clínicos e sintomas apresentados pelo paciente ou mesmo exames de imagem anteriores para comparação.
A conclusão em um exame de imagem corresponde a um diagnóstico por imagem e não a um diagnóstico anatomopatológico. Tomemos como exemplo uma hipotransparência pulmonar em um exame de raios-X simples e uma densidade pulmonar em um exame de tomografia computadorizada. Se no relatório constar que aquela alteração é uma Consolidação Pulmonar ou Opacidade Alveolar, o diagnóstico por imagem é de que se trata de lesão de vias aéreas respiratórias. Se no relatório constar que aquela alteração é uma Atelectasia, o diagnóstico por imagem é de que se trata de lesão de vias aéreas condutoras. Se considerarmos a Consolidação Pulmonar, a mesma é em decorrência de preenchimento do alvéolo seja por exudato, uma pneumonia, transudato, um edema pulmonar, sangue, uma contusão pulmonar, células neoplásicas, um carcinoma bronquíolo alveolar, material cálcico, uma microlitíase alveolar. Uma opinião diagnóstica mais precisa em um relatório consequente a análise do exame de imagem nessa situação exige informações clínicas e laboratoriais do paciente, o que por infelicidade raramente ocorre em uma solicitação de exame.
O relatório de um exame de imagem deve ser constituído da técnica utilizada para a sua realização, um relatório dos achados de imagem e uma conclusão, que seria a opinião do médico que fez a análise. No entanto, uma opinião deve ser dada com muito cuidado, primeiro, ela deve sempre estar associada aos dados clínicos do paciente, em segundo lugar, o cuidado de não iatrogenisar o paciente, uma vez que lesões muito distintas tanto na sua etiologia como no seu prognóstico podem apresentar alterações de imagens e até mesmo sinais clínicos muito semelhantes. Nesses casos, a opinião deve ser discutida com o médico que solicitou o exame e não registrada no relatório. Ainda mais, esse relatório deve ser elaborado com clareza e direcionado para uma possível hipótese diagnóstica ou diagnósticos diferenciais.
A solicitação de um exame de imagem deve ser acompanhada de informações sobre sintomas e sinais clínicos apresentados pelo paciente, se possível exames de laboratório e mesmo exames de imagem anteriores para análise comparativa.
É o parecer, s. m. j.
Curitiba, 21 de março de 2011.
Aprovado em Sessão Plenária n.º 2714ª de 18/04/2011 – CÂM II

Faça uma consultoria

Make a Donation Button

Dê a sua opinião

How Is My Site?

View Results

Loading ... Loading ...

+ acessados aqui

Comentários